sábado, 26 de novembro de 2011

Carlos Drummond de Andrade


E agora José? (Carlos Drummond de Andrade)


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?

Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,

a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia

e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;

quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.

José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....

Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!

José, para onde?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

António Aleixo... Tão actual

aleixo.jpg






Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando, se a burrice não será uma ciência. 
                                                                                             
                                                                                             
 '' António Aleixo''









António Fernandes Aleixo (Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de Novembro de 1949) foi um dos poetas populares algarvios de maior relevo, 
Famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente em seus versos. Também é recordado por ter sido simples, Humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX.
No emaranhado de uma vida recheada de pobreza, mudanças de emprego, imigração, tragédias familiares e doenças, na sua figura de homem humilde e simples,
Havia o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da cultura e sociedade do seu tempo. Do seu percurso de vida fazem parte profissões como tecelão, guarda de polícia, servente de pedreiro, trabalho este, que emigrado também exerceu em França.
De regresso ao seu país natal, restabeleceu-se novamente em Loulé, onde passou a vender cautelas e a cantar as suas produções pelas feiras portuguesas, actividades que se juntaram às suas muitas profissões e que lhe renderia a alcunha de "poeta-cauteleiro". Faleceu por conta de uma tuberculose, em 16 de Novembro de 1949, doença que tempos antes havia também vitimado uma de suas filhas.

CVS (Computer Vision Syndrome)

O preço físico que as novas tecnologias trouxeram-nos ...

Olhos piscam menos cinco vezes por minuto frente ao computador

Especialista do Porto deixa alguns conselhos

2011-11-18
Por Marlene Moura (texto)

Pestanejar voluntariamente é uma das recomendações.Pestanejar voluntariamente éecomendações.Pestanejar voluntariamente é uma das recomendações.
A utilização intensiva de computadores é um tema que começa a preocupar as sociedades mais desenvolvidas e os especialistas alertam para os sucessivos malefícios oculares causados pelo cansaço. Passar horas a fio perante um ecrã de computador diminui a frequência do piscar de olhos, em média, menos de cinco vezes por minuto – aumentando os sintomas do olho seco e da fadiga ocular, levando dores de cabeça, visão turva, sensibilidade à luz e contribui para que os olhos fiquem secos e irritados.

Segundo explicou ao jornal «Ciência Hoje», o oftalmologista Castro Neves, “os olhos estão preparados para ver ao longe e quando focam um objecto a curta distância o esforço é maior, levando a mais concentração e, consequentemente, a um maior cansaço ocular”.

Quando o olho foca um objecto que se encontra perto, faz ajustes imperceptíveis e incontroláveis para conseguir fazê-lo, como, por exemplo, quando usamos o zoom numa câmara digital. Esses ajustes são chamados de microflutuações da acomodação visual e são realizados através das contracções de um músculo no olho. No entanto, tal como todos os músculos, o esforço contínuo leva a um stresse das funções oculares e ao cansaço e, por conseguinte, os olhos são incapazes de focar correctamente, levando assim à fadiga ocular.

O também coordenador da unidade de Oftalmologia do hospitalcuf Porto avançou que “as pessoas que trabalham frente ao computador devem pestanejar frequentemente para proporcionar um certo descanso aos olhos", na medida em que os humedece e limpa – fomentando "a distribuição frequente do fluido lacrimal e evitando ardências e secura ocular”.

Dicas para a redução dos sintomas de CVS
O monitor deve ficar 10 a 20 graus abaixo do nível dos olhos, a distância entre a tela e os olhos deve ser de 60 centímetros, o ecrã não deve estar em frente a uma janela, pois a luminosidade causa ofuscamento, nem de costas porque forma sombras e reflexos que causam desconforto, deve evitar-se o excesso de luminosidade das lâmpadas e luz natural pois as pupilas se contraem e geram cansaço visual, é importante regular a tela com o máximo de contraste e não de luminosidade e mantê-la limpa, a cada hora, deve-se descansar cinco a dez minutos do computador e piscar voluntariamente os olhos.
A fadiga visual, também designada como Síndrome Visual do Utilizador de Computador ou CVS (Computer Vision Syndrome), atinge entre 70 e 90 por cento daqueles que trabalham com materiais informáticos.

Recomendações 

A quem tem necessariamente de passar muito tempo a trabalhar no computador, o médico recomenda que “desvie o olhar de hora a hora e o fixe no horizonte durante alguns minutos”. Castro Neves alerta também para o facto de ser “preciso regular o brilho e contraste do monitor e evitar o reflexo das luzes ambientais no mesmo”.

Além destes conselhos, o oftalmologista conclui que, “de uma forma geral, proteger os olhos da luz solar, fazer um ‘check-up’ à visão, evitar estar muitas horas a olhar fixamente para o computador, pestanejar várias vezes, desviar o olhar e manter uma dieta rica em fruta e legumes podem conduzir a uma boa saúde ocular”.

O olho é o órgão sensorial que permite ver e reagir ao ambiente, e aquele de que temos mais recordações mentais. Para manter os olhos saudáveis, basta cuidá-los através de alguns gestos.

A frequência com que os olhos devem ser examinados difere com a idade e doenças associadas. Castro Neves refere que “os adultos saudáveis devem fazer pelo menos um exame oftalmológico entre os 20 e os 40 anos. Antes da entrada para a escola, é importante que as crianças façam despiste e descoberta de alguns problemas oculares. Após os 40 anos, o exame ocular deve ser realizado de dois em dois anos em pessoas saudáveis”.

domingo, 13 de novembro de 2011

Gifted Hands




Mãos Talentosas - A História de Ben Carson



Ben Carson era um menino pobre de Detroit, que tirava más notas na escola. Entretanto aos 33 anos, ele se tornou o diretor do Centro de Neurologia Pediátrica do Hospital Universitário Johns Hopkins, em Baltimore, EUA. Em 1987, o Dr. Carson alcançou renome mundial por seu desempenho na bem-sucedida separação de dois gêmeos siameses, unidos pela parte posterior da cabeça - uma operação complexa e delicada que exigiu cinco meses de preparativos e vinte e duas horas de cirurgia. Sua história, profundamente humana, descreve o papel vital que a mãe, uma senhora de pouca cultura, mas muito inteligente, desempenhou na metamorfose do filho, de menino de rua a um dos mais respeitados neurocirurgiões do mundo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MARIE CURIE - 144 anos do seu nascimento

A física polonesa Maria Skodowska Curie (1867-1934) é uma famosa personagem da história da ciência. Foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, conseguindo se destacar como pesquisadora em uma época em que as universidades eram um domínio masculino. Mas qual, afinal, foi sua contribuição importante à ciência? Podemos dizer que, com a colaboração de seu marido Pierre Curie, ela “inventou” a radioatividade e descobriu novos elementos radioativos – o tório, o polônio e o rádio. Foi apenas a partir do seu trabalho que surgiu um enorme interesse pelos fenômenos radioativos e que essa área começou a se desenvolver de fato. Em lembrança aos 144 anos do seu nascimento, no ano escolhido para marcar o centenário do segundo Prémio Nobel de Química concedido à cientista polaca. Marie Curie, que fez importantes descobertas na área da radioactividade, foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e uma das poucas personalidades a receber duas vezes a distinção instituída pelo inventor da dinamite, Alfred Nobel, no seu testamento. Os seus trabalhos sobre a radioactividade alargaram os conhecimentos da física nuclear. Ela identificou dois novos elementos químicos, o rádio e o polónio, abrindo as portas para uma nova era da medicina com grandes avanços no tratamento de combate ao cancro. Em 1903, a cientista recebeu o prémio Nobel de Física ao lado do marido Pierre Curie e Henri Becquerel. Oito anos mais tarde conquistou sozinha o Nobel de Química. No período posterior, Maria Curie continuou seu trabalho de pesquisadora, mas sem obter outros resultados espetaculares como os do início de sua carreira. Durante a primeira guerra mundial, dedicou-se a aplicações médicas dos raios X, e depois da guerra empenhou-se no trabalho de organizar seu laboratório, obter verbas, treinar novos pesquisadores, coordenar novas investigações e proporcionar condições de trabalho aos jovens. Depois de muitos problemas de saúde, em grande parte associados à sua exposição à radiação, acabou por falecer em 1934.